Quem te via, via sempre correndo.
Parecia atrasado.
Quem diria.
Estava era adiantado.
Adiantando.
Correndo para fazer caber uma eternidade em 26 anos
Parecia atrasado.
Quem diria.
Estava era adiantado.
Adiantando.
Correndo para fazer caber uma eternidade em 26 anos
.
Acho que agora já posso, consigo e preciso escrever um pouco.
Sempre foi assim: a caneta no papel ou os dedos no teclado deixam tudo mais organizado e sugere o peso de realidade.
Esse foi meu medo. A realidade.
Thor, seu vagabundo, olha o que você fez...
Um rombo na vida das pessoas que te conheceram.
Dia 12 seria mais um dia comum da vida, se não fosse aquele WhatsApp:
Miny: - Amiga, ta aí?
Eu: Agora to.
Miny: A tia do Thor acabou de me ligar.
Pronto, foi a primeira pontada da dor fina que se seguiria dali.
Mil minutos em um segundo.
O pânico de quem tá vendo um jarro de cristal caindo e mesmo sabendo que não há outro destino e que o estrago é certo, fecha o olho para tentar negar o que vai acontecer.
Miny: Ele pegou uma forte infecção bacteriana e não resistiu.
Pronto!
Quebrou.
A cabeça ia em todos os lugares. Queria conforto, consolo. Queria acordar.
Esperava uma próxima mensagem dizendo que era brincadeira.
- Tá, não pode ser. Ninguém brinca com uma notícia dessas.
Queria ver se aquele truque de abrir os olhos na hora fatal do pesadelo funcionava.
- Nada.
Queria um desfibrilador. Um milagre bíblico. Uma passagem para ontem. Uma outra realidade.
Eu não parava de te ofender mentalmente. Te xingar, te achar trapaceiro e te culpar pela dor que eu sentia.
Acredito que os espíritos se comunicam pelo pensamento, mas como você é recém-chegado por aí, talvez não tenha as manhas ainda. Mais garantido é escrever.
Gente, e você foi mesmo...
Na frente de todo mundo. Como sempre.
A revolta abre espaço quando penso que você viveu bem e direito. Viveu muito. E bonito.
Tá certo que planos não deviam faltar, mas pode deixar que a gente se vira daqui para tentar tocá-los.
Um dia você me disse que ia me assistir no palco da primeira fila e que me levaria rosas no final.
Porra!
Não cumpriu.
Um dia você me disse várias coisas.
Um dia eu também disse.
No outro, me calei. Não disse nada.
Mais nada.
O dia era seu aniversário. O último que eu poderia dizer alguma coisa. Mas, não disse.
NADA.
Passei um bom tempo ainda sem dizer e quando disse, disse errado.
Depois ficou tudo bem.
Menos você.
Porra dessa leucemia.
Não te vi mais.
Chorei. Esperneei.
Me encolhi. A posição lembrava a daquelas risadas compulsivas de antes.
Da festa, da sala de aula, do carro, do chat, da Eptg, da gente.
Ri. Gargalhei.
Quando eu morrer quero deixar lembranças doces como as suas. Na verdade, morrer acaba de se tornar menos aterrorizante. Você foi... Até você foi.
Você foi, IDIOTA?
Por que?
Isso tudo é tão surreal que me vejo no ímpeto de te ligar para contar sobre isso e puxar aquelas longas e profundas reflexões.
Talvez você tenha sido a pessoa que mais fez questão de me amar com demonstrações públicas de afeto. Talvez tenha sido meu amigo com menos reservas. Que se jogou nos meus braços antes mesmo que eu pudesse abri-los. Que mais renovou a minha fé em mim e tudo mais aquilo que valorizamos e sentimos falta, sobretudo, quando não temos mais.
E tem muitas mais particularidades.
Você é tão particular que soava imorrível.
Estava recuperando alguns textos e achei um em que te falei que você me fazia só bem e como era raro pessoas assim.
Infeliz,
Agora isso acaba de se tornar mais raro ainda.
Chegando por aí, pergunte aos telespectadores da novela mexicana que foi nossa relação e confirme o quanto foi amado. O quanto fui covarde e o quanto ainda sou burra na tentativa de viver livre e feliz.
Menino, então.
O resto vou deixar por dizer.
Até o próximo contato e valeu.
Se já consigo falar sobre o que se foi. Ainda é impossível escrever sobre o que ficou.
Ainda estou assimilando.
Perdoando esse abandono prematuro.
Te aminho,
P.S.: Para constar
1) A senha do meu personare ainda é euamoothor
2) Você foi o primeiro defunto para quem eu escrevi.
3) Se eu fosse você cuidava para eu não morrer tão cedo, POIS, chegarei no bandão.
Beijos,
Beth, anta alada, ou como preferir.

Que forma bonita de externar saudade, dor, amizade e tristeza.
ResponderExcluirNath, compartilho dos seus sentimentos. Que texto digno do thor. Ele adoraria ler essas palavras.
ResponderExcluirBeijocas mujica
Você é tão linda, Bethinha! Ele deve estar dando gargalhadas, daquelas bem boas que só ele sabia. =)
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