terça-feira, 9 de junho de 2015

Vida Zinha

Zinha passava os dias assim.
Com dor nas costas.
Essa dor surgia sempre após o riso. 
E todo dia era isso.
Nem médico, nem chá, nem simpatia.
Parecia feitiço. 
- Que remédio, se este já é o próprio riso?
Não podia dar um risinho que as costas davam enguiço.
- É melhor se conter, 
diziam. 
Mas Zinha não conseguia.
Não conseguia e ria. 
Ria muito.
Todo dia.
Zinha não sabia se reclamava ou se agradecia.
Os momentos sem dor eram um horror.
E quando ria, pagava pela sua alegria.
Não sabia se o riso vinha antes da dor
Ou se a dor era que vinha depois do riso
Só sabia que sem um, o outro não existia. 
E o preço desse pacote, 
Pra Zinha, valia.







Seu pedido já saiu para entrega.

E se você soubesse que o que você sempre quis já saiu de lá e está vindo?
E se tivesse essa certeza?
E se, ao menos, você soubesse o que sempre quis?
É muito fácil sentir-se insatisfeita com qualquer passo em falso, qualquer promoção que não tenha vindo ou com qualquer coxinha que venha sem catupiry.
Sei exatamente o que me irrita, me entristece, me desaponta.
Mas, o que eu quero de verdade? O que eu espero? Fora a coxinha com catupiry e ganhar na loteria, não faço a mínima de como chegar lá. Na verdade, não faço a mínima de onde seria esse lá.
Na verdade da verdade da verdade, não faço a mínima se esse lá existe.
Difícil é falar sobre o que não é fácil.
E um difícil sempre puxa o outro.
Se tá difícil, a garganta fecha. A garganta fechando, a gente não sente fome. Sem fome a gente não come e quando a gente não come, o corpo não aguenta.

E a alma, minha cara, a alma ainda precisa do corpo.