Com dor nas costas.
Essa dor surgia sempre após o riso.
E todo dia era isso.
Nem médico, nem chá, nem simpatia.
Parecia feitiço.
- Que remédio, se este já é o próprio riso?
Não podia dar um risinho que as costas davam enguiço.
- É melhor se conter,
diziam.
Mas Zinha não conseguia.
Não conseguia e ria.
Ria muito.
Todo dia.
Zinha não sabia se reclamava ou se agradecia.
Os momentos sem dor eram um horror.
E quando ria, pagava pela sua alegria.
Não sabia se o riso vinha antes da dor
Ou se a dor era que vinha depois do riso
Só sabia que sem um, o outro não existia.
E o preço desse pacote,
Pra Zinha, valia.
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