Hoje o dia amanheceu meio cinza, tímido, respeitoso.
Nasceu meio que sem querer nascer, ponderoso.
Nos identificamos.
Era um pouco depois das 8h, meu olho ainda pensando se estava realmente aberto e meu corpo se arrastando para a área de serviço. Meu dia sempre começa naquela janela.
Lá faço minhas previsões meteorológicas, sinto o ar que passa entre a tela de proteção e aproveito para fiscalizar a vida do vizinho da frente que tem filhos lindos e um galo.
Sim, um galo.
Mas hoje não.
Hoje fui buscar esse apoio sem achar.
Queria a poesia do sol nas frestas, queria o céu claro e azul e toda aquela música de frozen que disfarça a remela dos meus olhos e serve de impulso para mais um dia vulnerável como todos.
Mas hoje não.
Hoje o dia parecia estar em plena ressonância comigo. Com meu cansaço retroativo, com minha cara de dor de barriga e com a minha respiração funda.
Ele suspirava comigo.
E foi bonito.
Foi bom perceber que apoio é muito mais do que alguém e/ou algo que nos sacuda e nos faça ver o lado bom da vida. Não podemos exigir tanto de alguém e/ou algo. Nem de nós mesmos.
Lição 1:
- Às vezes você só precisa de alguém e/ou algo que te entenda profundamente, te pegue pelas mãos e fale: Eu sei. Tá foda, né? Eu concordo, tá uma merda total. Vem aqui, vamos ouvir Pablo juntos!
Lição 2:
- Se até o dia que é dia, tem o Sol e tem a Lua, tem os pássaros cantando, os rios correndo e tudo de mais maravilhoso como eu, você e Pablo, se até ele acorda sem saco às vezes... Aceita, meu bem: isso acontece!
Lição 3:
-Mesmo sem saco ele nasce, ilumina, faz o que tem que fazer e segue. Ao dia não é dado o direito de parar, de sucumbir e voltar pra cama. Ele segue acontecendo e nunca foi diferente. Entre chuvas revoltz e verões arregalados, ele nasce.
Todo dia.
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